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Costa do Dendê combina praias, cachoeiras e produção rural no litoral baiano

Ao sul de Salvador, uma faixa do litoral baiano reúne algumas das praias mais procuradas do estado. Na concepção de Alfredo Moreira Filho, empresário, a Costa do Dendê é um exemplo de região em que turismo, agricultura e preservação ambiental precisam caminhar juntos para gerar desenvolvimento.

Com cerca de 115 quilômetros de litoral, a zona turística abrange municípios como Valença, Cairu, Taperoá, Nilo Peçanha, Ituberá, Igrapiúna, Camamu e Maraú. Entenda, nos tópicos a seguir, quais são os principais destinos da região, como o turismo se relaciona com a economia local e quais desafios acompanham seu crescimento.

Ilhas que atraem visitantes do mundo todo

O destino mais conhecido da Costa do Dendê é Morro de São Paulo, vila localizada na Ilha de Tinharé, no município de Cairu. Com praias de águas calmas, piscinas naturais formadas por recifes e vida noturna movimentada, o local recebe visitantes brasileiros e estrangeiros ao longo de todo o ano.

Vizinha de Morro, a Ilha de Boipeba atrai quem procura um ambiente mais tranquilo, com vilarejos rústicos e praias pouco movimentadas. O acesso às duas ilhas é feito principalmente por embarcações que partem de Valença, cidade que funciona como principal centro de serviços da região e conta com aeroporto capaz de receber aviões de médio porte. Conforme aponta Alfredo Moreira, a estrutura logística de Valença é um dos fatores que sustentam a economia turística da região.

Maraú e as praias mais preservadas

Mais ao sul, a Península de Maraú oferece mais de 40 quilômetros de praias pouco ocupadas durante boa parte do ano. A vila de Barra Grande é a principal porta de entrada da península, e o acesso mais prático é feito de lancha, a partir de Camamu, atravessando a Baía de Camamu.

Alfredo Moreira Filho
Alfredo Moreira Filho

Entre as atrações estão as piscinas naturais de Taipus de Fora, os bancos de areia da baía e a Cachoeira do Tremembé, uma queda de cerca de 30 metros que deságua diretamente no mar. O turismo de natureza tem crescido na península, impulsionado pela busca de destinos menos lotados. Na ótica de Alfredo Moreira Filho, esse tipo de turismo pode gerar renda com menor impacto, desde que acompanhado de planejamento.

Cachoeiras e turismo rural no interior

Nem todos os atrativos da Costa do Dendê estão à beira-mar. Ituberá, que não é banhada pelo oceano, se destaca pelas cachoeiras, especialmente a da Pancada Grande, com cerca de 40 metros de altura e considerada a maior da região, e a de Castro Alves. Trilhas, banhos de rio e atividades como rapel fazem parte do roteiro.

O interior da região também oferece experiências ligadas à produção rural. Plantações de cacau, guaraná, cravo, seringueira e dendê compõem a paisagem e podem ser incorporadas a roteiros de turismo rural, aproximando visitantes da cultura e da economia local. Como considera Alfredo Moreira, integrar a agricultura ao turismo é uma forma de diversificar a renda das famílias e valorizar a identidade do território.

Os desafios do crescimento turístico

O aumento do fluxo de visitantes traz benefícios, mas também desafios. Em Morro de São Paulo, por exemplo, o turismo de massa vem alterando o ritmo da vila e pressionando a infraestrutura de saneamento, abastecimento e coleta de lixo. Para ajudar a custear a preservação, os visitantes pagam uma taxa ambiental ao chegar.

A região também convive com dificuldades de acesso, como estradas de terra em trechos da Península de Maraú, e com a necessidade de conciliar a expansão imobiliária com a proteção de manguezais, recifes e restingas. Projetos de infraestrutura em discussão na Bahia podem facilitar a chegada de turistas, o que reforça a importância do planejamento. Conforme pondera Alfredo Moreira Filho, o futuro da Costa do Dendê depende da capacidade de crescer sem destruir os recursos naturais que tornam a região tão atrativa.

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