Entre os principais desafios de uma obra em alvenaria estrutural está o dimensionamento correto das paredes, conforme enfatiza o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim. Diferente de sistemas em concreto armado, em que vigas e pilares concentram as cargas, na alvenaria estrutural cada parede precisa ser calculada individualmente para suportar esforços de compressão, cisalhamento e, em alguns casos, flexão.
Um projeto bem dimensionado evita problemas estruturais futuros e reduz custos com retrabalho, já que qualquer ajuste após a execução das paredes costuma ser de difícil reversão. Por isso, conhecer os parâmetros normativos e os principais pontos de verificação é fundamental para engenheiros e construtoras que atuam com esse sistema construtivo.
Por que o dimensionamento correto é decisivo na alvenaria estrutural?
Na alvenaria estrutural, as próprias paredes substituem vigas e pilares na função de sustentação, o que torna a precisão do cálculo ainda mais relevante do que em sistemas convencionais. Um erro de dimensionamento pode comprometer não apenas uma parede isolada, mas a estabilidade de pavimentos inteiros, já que as cargas se transmitem verticalmente entre os elementos estruturais.
O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, sugere que o dimensionamento seja tratado como etapa indissociável do projeto arquitetônico, e não como verificação posterior, evitando incompatibilidades entre a modulação dos blocos e as cargas previstas para cada pavimento.
Parâmetros normativos definidos pela NBR 16868
A norma brasileira de referência para o dimensionamento é a NBR 16868, publicada em 2020, que unificou os critérios antes divididos entre blocos cerâmicos e blocos de concreto. O documento estabelece parâmetros de resistência para argamassa, graute e bloco, além de definir limites de esbeltez e coeficientes de ponderação aplicáveis ao cálculo estrutural.
Entre as exigências da norma estão a obtenção do módulo de elasticidade da alvenaria, o fator K usado no cálculo das tensões horizontais e o limite de tensão do aço considerado em paredes armadas. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, evidencia que a aderência rigorosa a esses parâmetros normativos é o que garante previsibilidade ao comportamento estrutural da edificação.

Verificações de compressão, cisalhamento e flexão nas paredes
O dimensionamento de uma parede estrutural envolve, em primeiro lugar, a verificação à compressão, que depende da resistência do prisma formado por bloco, argamassa e graute. Os ensaios de prisma, definidos pela NBR 16868-3, são fundamentais para confirmar se o conjunto atinge a resistência característica exigida em projeto.
Além da compressão, a verificação ao cisalhamento ganha importância em paredes sujeitas a esforços horizontais, como os provocados pelo vento ou por desaprumos da estrutura. Quando cargas concentradas são transmitidas por vigas ou lajes a áreas reduzidas, recomenda-se apoio sobre canaleta grauteada, solução que aumenta a capacidade de resistência local e evita concentração excessiva de tensão nos blocos adjacentes.
Esbeltez, contraventamento e pontos de atenção em projetos mais complexos
O índice de esbeltez das paredes é outro parâmetro determinante, especialmente em edificações de maior altura. A norma atual inclui anexo específico para paredes com esbeltez superior a 30, exigindo cálculo detalhado do momento total e dos deslocamentos de primeira ordem para garantir estabilidade adequada.
O contraventamento entre paredes, obtido por amarração direta ou indireta, também influencia diretamente o comportamento global da estrutura. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, demonstra que projetos sem contraventamento adequado tendem a apresentar deslocamentos excessivos sob ação de cargas horizontais, comprometendo o desempenho previsto em projeto.
Compatibilização entre projeto estrutural, arquitetônico e instalações
O dimensionamento da alvenaria estrutural não pode ser tratado isoladamente do projeto arquitetônico e das instalações elétricas e hidráulicas. Furos e rasgos para tubulações precisam estar previstos na modulação dos blocos desde o início, já que intervenções posteriores nas paredes estruturais comprometem diretamente a resistência calculada.
O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, esclarece que ferramentas de modelagem em BIM têm facilitado essa compatibilização, permitindo identificar interferências entre estrutura e instalações ainda na fase de projeto, antes do início da obra e da contratação das equipes de execução.



