As infecções continuam sendo uma das principais causas de complicações e mortalidade em pacientes com queimaduras extensas, explica o médico-cirurgião plástico, Milton Seigi Hayashi. Mesmo com os avanços em técnicas cirúrgicas, curativos e terapia intensiva, a rapidez no reconhecimento dos sinais de infecção ainda é determinante para o sucesso do tratamento. A vigilância clínica e o uso de critérios diagnósticos mais precisos são essenciais para reduzir riscos e melhorar os desfechos desses pacientes.
Para quem atua na área da saúde ou acompanha casos de queimaduras graves, compreender essa dinâmica é fundamental para intervenções mais eficazes. Pacientes queimados apresentam alterações importantes no sistema imunológico, além de grandes áreas de pele lesionada, que funcionam como portas de entrada para microrganismos. Esse conjunto de fatores torna o organismo mais vulnerável a infecções sistêmicas, que podem evoluir rapidamente para quadros graves se não forem identificadas precocemente.
Por que pacientes queimados têm maior risco de infecção?
A pele é a principal barreira de proteção contra agentes infecciosos. Quando essa barreira é rompida em grandes extensões, como ocorre nas queimaduras, o risco de colonização bacteriana e infecção aumenta significativamente. Além disso, o trauma térmico desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica que pode comprometer a função imunológica.

Conforme apresenta Hayashi, esse estado de imunossupressão transitória favorece tanto infecções locais quanto disseminadas, especialmente em pacientes que necessitam de internações prolongadas, múltiplos procedimentos cirúrgicos e dispositivos invasivos, como cateteres e ventilação mecânica. Outro fator relevante é o hipermetabolismo típico do paciente queimado, que altera a resposta do organismo às infecções e pode mascarar sinais clássicos, dificultando o diagnóstico clínico precoce.
Dificuldades no diagnóstico e sinais de alerta
Diferenciar uma resposta inflamatória própria da queimadura de uma infecção verdadeira é um dos principais desafios no cuidado desses pacientes, expõe o Dr. Hayashi. Febre, taquicardia e alterações laboratoriais podem estar presentes mesmo sem infecção ativa, o que exige avaliação criteriosa e acompanhamento contínuo.
A observação de mudanças no aspecto das feridas, aumento de secreção, odor desagradável, piora súbita do estado geral e instabilidade hemodinâmica são sinais que devem acender o alerta para investigação imediata. Exames laboratoriais e culturas continuam sendo ferramentas importantes, mas podem demorar para fornecer resultados definitivos. Em decorrência disso, a decisão clínica muitas vezes precisa se basear na evolução do quadro e na análise conjunta de múltiplos parâmetros.
Avanços no uso de biomarcadores e monitoramento
Nos últimos anos, a pesquisa tem buscado marcadores mais específicos para diferenciar inflamação de infecção em pacientes queimados. Biomarcadores como a procalcitonina têm sido estudados como auxiliares na identificação precoce de infecções bacterianas sistêmicas. Embora esses exames não substituam a avaliação clínica, eles podem auxiliar na tomada de decisão, especialmente em casos nos quais os sinais são pouco específicos.
O uso racional desses recursos contribui para iniciar tratamento adequado mais cedo e evitar uso desnecessário de antibióticos. O médico-cirurgião plástico, Milton Seigi Hayashi, alude ainda que sistemas de monitoramento mais frequentes e protocolos padronizados de avaliação das feridas permitem detectar alterações sutis que, isoladamente, poderiam passar despercebidas.
Importância da antibioticoterapia direcionada
O uso indiscriminado de antibióticos é um problema relevante em ambientes hospitalares, pois favorece o surgimento de bactérias multirresistentes. Em unidades de tratamento de queimados, esse risco é ainda maior devido à complexidade dos casos e à exposição frequente a antimicrobianos. Milton Seigi Hayashi reforça que sempre que possível, o tratamento deve ser direcionado por culturas e testes de sensibilidade, evitando esquemas empíricos prolongados sem confirmação do agente causador.
Além do tratamento sistêmico, o controle adequado das feridas é essencial para reduzir a carga bacteriana e favorecer a cicatrização. Desbridamentos cirúrgicos, enxertos de pele e curativos avançados fazem parte da estratégia global de prevenção e tratamento de infecções. Por fim, a integração entre cirurgia, enfermagem e terapia intensiva é fundamental para garantir que o manejo local e sistêmico estejam alinhados. Essa abordagem integrada contribui para reduzir o tempo de internação e melhorar a recuperação funcional do paciente.
Autor: Andrey Belov



