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Quais são os desafios e oportunidades que o setor funerário enfrenta na visão de Tiago Oliva Schietti?

Para Tiago Oliva Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, o Brasil atravessa um divisor de águas: o setor funerário deixa progressivamente para trás o improviso e a informalidade para avançar em direção a uma gestão mais qualificada, ética e centrada nas necessidades das famílias. O que por muito tempo ficou à margem dos grandes debates sobre urbanismo, saúde pública e bem-estar social começa a ocupar o lugar que sempre deveria ter tido nas políticas de desenvolvimento do país.

Durante décadas, a atividade funerária brasileira cresceu de forma bastante desigual. Em grandes centros urbanos, operações mais estruturadas conviviam com serviços de baixa qualidade técnica, enquanto no interior do país a oferta era frequentemente precária e baseada em relações informais.  

Continue lendo para entender como a profissionalização do setor funerário está redefinindo padrões de atendimento, infraestrutura e conduta ética no Brasil, e por que esse movimento representa um avanço essencial tanto para os trabalhadores do segmento quanto para a sociedade.

A herança informal e os novos rumos da gestão cemiterial

Tiago Oliva Schietti destaca que o setor funerário no Brasil carrega uma história marcada por contrastes. De um lado, famílias tradicionais que construíram empresas sólidas ao longo de gerações, transmitindo conhecimento prático e vínculos comunitários fortes. Do outro lado, uma enorme quantidade de estabelecimentos que operaram por anos sem qualquer padronização de procedimentos, sem formação técnica dos profissionais e sem instrumentos claros de prestação de contas às famílias atendidas. Esse dualismo ainda é visível em muitas regiões do país.

A gestão cemiterial, especificamente, enfrentou desafios ainda mais complexos. Cemitérios municipais, em sua grande maioria, operavam sob estruturas administrativas sobrecarregadas e com recursos insuficientes para manutenção, atendimento digno e preservação ambiental. 

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Por que a profissionalização do setor funerário é urgente no Brasil?

A pergunta pode parecer retórica para quem já atua no segmento, mas ela se torna cada vez mais relevante diante dos dados sobre crescimento demográfico e envelhecimento populacional. O Brasil tem mais de 213 milhões de habitantes e uma pirâmide etária que se transforma de forma acelerada, o que coloca a infraestrutura funerária e cemiterial sob pressão crescente. Sem profissionalização consistente, esse crescimento pode aprofundar as desigualdades no atendimento às famílias que mais precisam de suporte.

Como sugere Tiago Oliva Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, a resposta para esse desafio passa por três eixos fundamentais: formação contínua dos profissionais, adoção de tecnologias de gestão adequadas e fortalecimento do diálogo com os órgãos reguladores. Não se trata de impor um modelo único, mas de estabelecer um patamar mínimo de qualidade que garanta dignidade a todas as famílias, independentemente de sua condição socioeconômica.

Como as entidades setoriais influenciam a padronização no segmento?

Um dos movimentos mais significativos para a profissionalização do setor funerário no Brasil foi o fortalecimento de entidades representativas, como a Acembra Sincep (Associação dos Cemitérios e Crematórios do Brasil). À vista disso, Tiago Oliva Schietti expressa que a entidade tem atuado de forma consistente na construção de diretrizes técnicas, na promoção de eventos de capacitação e no estímulo ao diálogo entre operadores privados, municípios e sociedade civil. Esse papel articulador é indispensável para que as boas práticas se difundam além dos grandes centros.

As diretrizes da Acembra Sincep contemplam desde critérios de infraestrutura física dos espaços cemiteriais até orientações sobre gestão ambiental, atendimento humanizado e transparência nas relações com as famílias. A adoção dessas práticas por cemitérios e crematórios em todo o território nacional representa um salto qualitativo considerável, ainda que a incorporação seja gradual e enfrente resistências culturais em algumas regiões.

O compromisso com a excelência como marca de um setor em maturidade

A profissionalização do setor funerário no Brasil é um movimento irreversível, alimentado tanto pelas exigências crescentes das famílias quanto pela pressão legítima dos órgãos de controle e pelas novas gerações de profissionais que chegam ao segmento com formação técnica e visão de longo prazo. Não se trata de eliminar a tradição ou a dimensão afetiva que sempre marcou esse trabalho, mas de elevar o padrão de entrega sem abrir mão do cuidado, que é a essência de toda a atividade.

Como resume Tiago Oliva Schietti, profissionais e empresários que enxergam a gestão cemiterial como uma responsabilidade pública e social, e não apenas como uma atividade comercial. O reconhecimento de que as famílias merecem o melhor atendimento possível em seus momentos de maior fragilidade é o ponto de partida para qualquer transformação real no segmento, e é exatamente essa convicção que tem orientado os movimentos de modernização observados nos últimos anos.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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