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Riqueza multigeracional, na visão de Rodrigo Gonçalves Pimentel

Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, observa que preservar riqueza multigeracional exige estratégias que vão muito além da simples acumulação de ativos, envolvendo decisões conscientes sobre educação financeira dos herdeiros, estruturação jurídica do patrimônio e transmissão de valores capazes de sustentar comportamento responsável em relação aos recursos disponíveis para cada geração seguinte. A ausência de qualquer um desses elementos tende a comprometer, em algum momento, a estabilidade do conjunto. 

Famílias bem-sucedidas nessa jornada tratam a riqueza como projeto institucional, e não apenas como resultado acumulado do sucesso individual de seus fundadores. Essa perspectiva institucional exige que decisões sobre o patrimônio deixem de depender exclusivamente da vontade de uma única pessoa e passem a se apoiar em processos capazes de sobreviver à passagem natural de gerações dentro da família.

Por que grande parte da riqueza familiar se dissolve em poucas gerações?

Estudos internacionais sobre transmissão de patrimônio indicam que a maioria das fortunas familiares se dissolve significativamente já na segunda geração e praticamente desaparece na terceira, fenômeno conhecido popularmente pela expressão que descreve o caminho entre mangas de camisa em três gerações. Esse padrão se repete em diferentes países e contextos culturais, sugerindo que suas causas estão mais relacionadas a dinâmicas familiares e institucionais do que a características específicas de determinada economia ou setor de atuação. A ausência de preparo dos herdeiros para administrar recursos recebidos figura entre as causas mais citadas para esse padrão recorrente, ao lado da inexistência de estruturas de governança capazes de conter decisões impulsivas tomadas isoladamente por membros específicos da família.

Rodrigo Gonçalves Pimentel comenta que a transmissão de patrimônio sem a correspondente transmissão de valores e de capacidade de gestão tende a acelerar a dissipação da riqueza, já que herdeiros despreparados costumam tomar decisões financeiras baseadas em critérios emocionais ou imediatistas, sem a disciplina exigida para preservar e fazer crescer o patrimônio recebido ao longo do tempo. A exposição precoce a decisões financeiras de menor complexidade, ainda durante a formação dos herdeiros, tende a construir gradualmente essa disciplina antes que recursos substanciais estejam efetivamente sob sua responsabilidade direta.

Educação financeira como pilar da preservação patrimonial

A formação de herdeiros em temas de finanças, investimentos e gestão patrimonial representa investimento tão relevante quanto a estruturação jurídica do patrimônio propriamente dito. Famílias que promovem esse tipo de educação desde cedo tendem a formar sucessores capazes de participar ativamente das decisões sobre o próprio patrimônio, em vez de depender exclusivamente de assessores externos ao longo de toda a vida, o que reduz vulnerabilidades importantes em momentos de transição de gestão entre gerações.

Rodrigo Gonçalves Pimentel elucida que essa formação não precisa se limitar a conteúdo técnico sobre investimentos, abrangendo também discussões sobre o propósito da riqueza familiar, sua origem histórica e o papel que cada geração deve desempenhar na preservação do legado construído pelos fundadores do patrimônio. Reuniões familiares dedicadas a contar a história da formação do patrimônio tendem a fortalecer o senso de responsabilidade coletiva entre herdeiros mais jovens, que passam a compreender o esforço original por trás dos recursos que futuramente administrarão, criando vínculo emocional saudável com o patrimônio que vai muito além do valor financeiro isolado.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Estruturas jurídicas de suporte à riqueza multigeracional

Trusts, holdings familiares e fundos exclusivos figuram entre os instrumentos utilizados para organizar juridicamente a riqueza destinada a atravessar múltiplas gerações, cada um com características específicas quanto à flexibilidade, custo de manutenção e jurisdição aplicável ao patrimônio estruturado. Famílias com ativos internacionais costumam avaliar também a interação entre diferentes jurisdições, já que regras de sucessão e tributação variam significativamente conforme o país onde os bens estão localizados ou onde os herdeiros residem.

A escolha entre essas estruturas depende de fatores como composição familiar, natureza dos ativos envolvidos e objetivos específicos que a família pretende alcançar com a organização patrimonial, não existindo solução única aplicável indistintamente a todas as famílias que buscam preservar riqueza ao longo de gerações, comenta Rodrigo Gonçalves Pimentel. A revisão periódica dessas estruturas, à medida que a família cresce e o patrimônio se transforma, tende a manter sua adequação aos objetivos originalmente estabelecidos pelos fundadores.

Governança familiar como sustentação da riqueza no tempo

A existência de regras claras sobre distribuição de recursos, critérios de acesso a recursos do patrimônio comum e mecanismos de resolução de conflitos entre herdeiros costuma ser tão importante quanto a estrutura jurídica utilizada para organizar formalmente o patrimônio da família. Famílias numerosas, com ramos que se distanciam ao longo das gerações, tendem a se beneficiar especialmente de regras objetivas, que reduzem a dependência de acordos informais sujeitos a interpretações divergentes entre diferentes membros do grupo familiar.

Rodrigo Gonçalves Pimentel enfatiza que famílias que combinam estruturação jurídica adequada, educação financeira consistente e governança bem definida tendem a preservar sua riqueza por período muito superior à média observada entre famílias que investem apenas em um desses pilares isoladamente, negligenciando os demais aspectos igualmente relevantes para a continuidade patrimonial. A combinação desses três pilares, sustentada de forma consistente ao longo de gerações, costuma representar a diferença mais significativa entre famílias que preservam sua relevância econômica e aquelas que veem seu patrimônio se dissipar antes do tempo esperado pelos fundadores originais.

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