Com R$ 560 bilhões negociados até julho de 2026, maior circulação dos títulos aumenta a complexidade do acompanhamento das emissões ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos
O mercado secundário de debêntures alcançou um novo patamar em 2026. Entre janeiro e julho, as negociações desses títulos somaram R$560 bilhões, maior volume registrado para o período desde o início da série analisada pela ANBIMA. Para a ID CTVM, instituição que atua com escrituração e outros serviços de infraestrutura para o mercado de capitais, o avanço vai além do crescimento do volume negociado e amplia a complexidade operacional envolvida no acompanhamento dos ativos após a emissão.
O resultado representa crescimento de 16,6% em relação aos R$480,1 bilhões movimentados nos mesmos meses de 2025. O movimento ocorre após anos de expansão das emissões: entre 2020 e 2025, o volume anual de ofertas de debêntures passou de R$ 121,1 bilhões para R$ 493,4 bilhões. Somadas as novas emissões, o estoque de títulos em circulação chegou a R$ 1,6 trilhão em julho de 2026.
Além do crescimento do estoque, os dados apontam para uma circulação mais intensa dos títulos já emitidos. O volume negociado no mercado secundário passou de R$ 177,6 bilhões em 2020 para R$ 947,4 bilhões em 2025. No mesmo período, a proporção entre as negociações e o estoque médio de debêntures, indicador conhecido como giro, avançou de 26,7% para 65,6%.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a evolução do giro evidencia uma mudança que vai além do crescimento das emissões.
“Não estamos falando apenas de um mercado que passou a emitir mais debêntures, mas também de ativos que circulam com maior intensidade depois de colocados no mercado. Quanto maior esse giro, maior é o universo de movimentações, eventos e informações que precisam ser acompanhados ao longo da vida dos títulos. Isso torna a infraestrutura posterior à emissão uma parte cada vez mais relevante para o funcionamento e a escala desse mercado ”, afirma.
Mais títulos em circulação exigem acompanhamento durante todo o ciclo de vida
Na prática, o mercado secundário permite que investidores negociem entre si debêntures anteriormente emitidas, oferecendo possibilidades de entrada e saída antes do vencimento. Esse ambiente reúne emissores, investidores, intermediários e instituições responsáveis pelas diferentes etapas operacionais dos títulos.
A composição das negociações também mostra a diversificação desse mercado. Dos R$ 560 bilhões movimentados entre janeiro e julho de 2026, 44% corresponderam a debêntures incentivadas e 56% a debêntures corporativas. As incentivadas responderam ainda por 60% do volume adicional negociado em relação ao mesmo período de 2025.
Embora apresentem características distintas, esses títulos dependem do acompanhamento das condições definidas em cada emissão até o vencimento. Pagamentos de juros, amortizações e demais eventos previstos nos documentos das operações precisam ser processados conforme os cronogramas e particularidades de cada ativo.
Nesse contexto, a escrituração integra a infraestrutura responsável pela manutenção dos registros relacionados aos valores mobiliários e pelo processamento dos eventos financeiros previstos nas emissões. À medida que aumentam o número de ativos, os volumes negociados e a diversidade das estruturas, cresce também a necessidade de processos capazes de lidar com diferentes condições e calendários de forma consistente.
“A complexidade não está apenas no volume. Cada emissão possui características próprias, cronogramas e eventos financeiros específicos. Quando o mercado ganha escala e os títulos passam a circular com maior frequência, a capacidade de organizar essas informações e processar corretamente cada evento se torna ainda mais importante para a eficiência de toda a estrutura”, destaca Balassiano.
Para a ID CTVM, a combinação entre aumento das emissões, expansão do estoque e maior giro dos títulos sinaliza o amadurecimento do mercado brasileiro de debêntures. À medida que esse ecossistema ganha escala e reúne mais ativos e participantes, cresce também a importância da infraestrutura que sustenta os títulos ao longo de seu ciclo de vida, acompanhando a expansão do crédito privado no país.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.



